Tuesday, December 8, 2009
Friday, December 4, 2009
O homem aproxima-se, “esta cidade é grande demais para que nos possamos encontrar”. Olho-o de perto e o grande elástico que é o tempo atiram-me para trás. Aflita, finjo uma serenidade que não existe dentro de mim. “E contudo, aqui estamos”, respondo. Sorriu. As minhas palavras e as imagens que lhe passavam atrás do olhos baços, a desenharem-lhe o escárnio nos lábios. O corpo no farrapo em que a vida o havia convertido. “Porquê?”. Baixei a cabeça tentando disfarçar a dor que aquela interrogação comportava. “Há silêncios que se interpõem entre nós até que se tornam num imenso vazio”. E há vazios que não podem jamais ser preenchidos, vão-se instalando, como a maré que vai subindo e tapando progressivamente a areia. Abandonei-o ao pôr do sol, deitado na cama que fora nossa por tantos e tantos anos. Continuar ali deitada era protelar um sofrimento para escapar ao sofrimento do fim. Defronte um do outro, olhamo-nos agora com a resignação que a vida traz aos acontecimentos passados. Baixa o olhar, vira-me as costas e afasta-se pelo mesmo caminho por onde veio. O vazio entre nós e o silêncio da sua resposta a preenchê-lo.
Thursday, October 8, 2009
Wednesday, September 23, 2009
Wednesday, August 26, 2009
Monday, August 10, 2009
Thursday, August 6, 2009
Choveu no último dia.
As nuvens a dissolverem-se sobre as nossas cabeças e o metro fechado.
Choveu, como as lágrimas que chorámos em cima da roupa atirada à pressa para dentro da mala. Os beijos, os olhares, as promessas, os corpos sôfregos de união e o tempo obstinado a separá-los.
O amor a adiar a despedida.
A água escorria pela tua mão pousada na superfície seca do vidro da janela. O desespero impotente de um gesto perante o espaço e o tempo. O teu corpo a esmorecer à medida que o teu olhar focava cada vez mais longe o farrapo que eu era.
Eu, um miserável apêndice de uma mala de viagem.
A mirrar. Um balão atado por uma criança ao ferro da cama, e esquecido. Eu era esse balão, aquilo que existia para além de nós, era a criança.
O espaço em mim a consumir-se e a sua superfície a enrugar.
A cidade uma última vez e as nuvens. A tua sombra distendida pelo soalho em frente à janela.
Na cabeça, os beijos, os olhares, as promessas… As palavras inconcebíveis.
E o tempo e o espaço, e o universo para além de nós.
Implacáveis.
