Ouço-te e lembro-me de mim. Reconheço nas tuas palavras a inocência de que as coisas são imutáveis e que duram para sempre. É um rapaz novo, indubitavelmente.
Wednesday, December 10, 2008
Monday, December 1, 2008
O meu corpo sepultado na minha própria cama. Eu quase morta. Apenas uma leve respiração e um fraco batimento do coração. Eu sepultada. O peso dos cobertores, o silêncio do quarto, o peso da terra, o silêncio da morte. E a noite que cai pelo quadrado da clarabóia. Eu a desejar que a morte venha. Que o próximo batimento do meu coração seja um silêncio profundo. Que de mim não reste nada mais que o meu número de morta espetado num monte de terra. A brisa fria do sepulcro que a morte sopra. A solidão daquilo que fui um dia. Eu na noite, nesta tarde que é uma noite escura, como todas as manhãs escuras. O peso da vida sobre os cobertores. O engano da vida. Eu à espera da morte. A conhecer o meu destino, mas a não acreditar nele. A querer acreditar nele, mas a não suportar acreditar nele. Eu morta. E a desejar que o sol não se torne a levantar pelo quadrado da clarabóia.
Friday, November 28, 2008
Monday, November 24, 2008
Sunday, November 16, 2008
Passava dias inteiros sentada em cima da porta aberta. Gostava de ver as vidas que passavam sob os seus pés. Fazia esquemas mentais de cada uma delas e já antecipava a rotina. Divertia-a. Era como estar numa nuvem voadora, e nem as queixas constantes da corrente de ar que vinha da porta aberta a faziam descer.
Antecipava as acções dos outros mas não as entendia. Para ela, não passavam de uma futilidade de conveniência. Era isso, ninguém estava contente, mas toda a gente repetia os mesmos gestos, as mesmas atitudes, as mesmas crenças, o mesmo disfarce.
Hoje, a normalidade obrigou-a a comporta-se como os outros. Mas no essencial, ela ainda continua em cima da porta.
Tuesday, November 11, 2008
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